!!> BOOKS ✯ Dispersão ⚡ Author Mário de Sá-Carneiro – Natus-physiotherapy.co.uk



10 thoughts on “Dispersão

  1. says:

    Perdi me dentro de mimPorque eu era labirinto,E hoje, quando me sinto, com saudades de mim.


  2. says:

    Sem se sentir completo neste mundo,Pelo parco amor pr prio ou expresso por outro,M rio S Carneiro n o se rev no seu eu profundoE mendiga qualquer esmola a um Deus neutro.Roga pela sua desintegra o total,Numa explos o de mol culas alienadasQue, sem o cimento, se resumem a nadasAfundadas num vazio abissal.Dos olhos, as l grimas secas j n o ca am,Da boca, as palavras pensadas j n o sa am,Restava um papel como testamento Anotando as vontades n o realizadas,Todos as mem rias n o vivenciadas,At Sem se sentir completo neste mundo,Pelo parco amor pr prio ou expresso por outro,M rio S Carneiro n o se rev no seu eu profundoE mendiga qualquer esmola a um Deus neutro.Roga pela sua desintegra o total,Numa explos o de mol culas alienadasQue, sem o cimento, se resumem a nadasAfundadas num vazio abissal.Dos olhos, as l grimas secas j n o ca am,Da boca, as palavras pensadas j n o sa am,Restava um papel como testamento Anotando as vontades n o realizadas,Todos as mem rias n o vivenciadas,At a um final que pedia diferimento


  3. says:

    em Paris,1913 Perdi me dentro de mim Porque eu era labirinto E hoje, quando me sinto com saudades de mim.Passei pela minha vidaUm astro doido a sonhar.Na nsia de ultrapassar,Nem dei pela minha vidaPara mim sempre ontem,N o tenho amanh nem hoje O tempo que aos outros fogeCai sobre mim feito ontem O Domingo de ParisLembra me o desaparecidoQue sentia comovidoOs Domingos de Paris Porque um domingo fam lia, bem estar, singeleza, E os que olham a belezaN o t m bem estar nem fam lia.O em Paris,1913 Perdi me dentro de mim Porque eu era labirinto E hoje, quando me sinto com saudades de mim.Passei pela minha vidaUm astro doido a sonhar.Na nsia de ultrapassar,Nem dei pela minha vidaPara mim sempre ontem,N o tenho amanh nem hoje O tempo que aos outros fogeCai sobre mim feito ontem O Domingo de ParisLembra me o desaparecidoQue sentia comovidoOs Domingos de Paris Porque um domingo fam lia, bem estar, singeleza, E os que olham a belezaN o t m bem estar nem fam lia.O pobre mo o das nsias Tu, sim, tu eras algu m E foi por isso tamb mQue me abismaste nas nsias.A grande ave doiradaBateu asas para os c us,Mas fechou as saciadaAo ver que ganhava os c us.Como se chora um amante, Assim me choro a mim mesmo Eu fui amante inconstante Que se traiu a si mesmo.N o sinto o espa o que encerroNem as linhas que protejo Se me olho a um espelho, erro N o me acho no que projeto.Regresso dentro de mimMas nada me fala, nada Tenho a alma amortalhada,Sequinha, dentro de mim.N o perdi a minha alma,Fiquei com ela, perdida.Assim eu choro, da vida,A morte da minha alma.Saudosamente recordoUma gentil companheiraQue na minha vida inteiraEu nunca vi Mas recordoA sua boca doiradaE o seu corpo esmaecido,Em um h lito perdidoQue vem na tarde doirada As minhas grandes saudades S o do que nunca enlacei Ai, como eu tenho saudades Dos sonhos que sonhei E sinto que a minha morte Minha dispers o total Existe l longe, ao norte,Numa grande capital.Vejo o meu ltimo diaPintado em rolos de fumo,E todo azul de agoniaEm sombra e al m me sumo.Ternura feita saudade,Eu beijo as minhas m os brancasSou amor e piedadeEm face dessas m os brancasTristes m os longas e lindasQue eram feitas pra se darNingu m mas quis apertarTristes m os longas e lindasEu tenho pena de mim,Pobre menino idealQue me faltou afinal Um elo Um rastro Ai de mim Desceu me n alma o crep sculo Eu fui algu m que passou.Serei, mas j n o me sou N o vivo, durmo o crep sculo lcool dum sono outonal Me penetrou vagamente A difundir me dormente Em uma bruma outonal.Perdi a morte e a vida,E, louco, n o enlouque oA hora foge vividaEu sigo a, mas permane oCastelos desmantelados,Le es alados sem juba


  4. says:

    Meu primeiro contato com M rio de S Carneiro foi nos primeiros semestres da gradua o em Letras, momento em que tive que fazer um trabalho sobre sua novela A confiss o de L cio Apaixonei me loucamente pelos gritos da sua narrativa, como se convocasse o leitor a que o entendesse em morte, j que em vida poucos o fizeram Alguns semestres depois tive de fazer outro trabalho sobre ele, desta vez a partir da sua poesia Na l rica foi onde vi mais nitidamente o pedido de socorro do autor, tanto Meu primeiro contato com M rio de S Carneiro foi nos primeiros semestres da gradua o em Letras, momento em que tive que fazer um trabalho sobre sua novela A confiss o de L cio Apaixonei me loucamente pelos gritos da sua narrativa, como se convocasse o leitor a que o entendesse em morte, j que em vida poucos o fizeram Alguns semestres depois tive de fazer outro trabalho sobre ele, desta vez a partir da sua poesia Na l rica foi onde vi mais nitidamente o pedido de socorro do autor, tanto que os ecos cortantes de cada verso ressoam no mais ntimo de mim desde ent o.Em Dispers o se encontram todos os anelos, desejos, lamentos, saudades de uma alma coberta de n voa que n o suportava estar enquadrado num tempo e lugar em que n o se encaixava Hoje recolho sua dispers o, junto as peda o por peda o para faz lo viver de novo, aqui, em mim, onde h espa o para que ele habite enquanto viva eternamente Afronta me um desejo de fugirAo mist rio que meu e me seduz.Mas logo me triunfo A sua luzN o h muitos que a saibam refletir Partida


  5. says:

    RODOPIOVolteiam dentro de mim,Em rodopio, em novelos,Milagres, uivos, castelos,Forcas de luz, pesadelos,Altas torres de marfim.Ascendem helices, rastros Mais longe coam me so s Ha promontorios, farois,Upam se estatuas d herois,Ondeiam lan as e mastros.Zebram se armadas de c r,Singram cortejos de luz,Ruem se bra os de cruz,E um espelho reproduz,Em treva, todo o esplendor Cristais retinem de medo,Precipitam se estilha os,Chovem garras, manchas, la os Planos, quebras e espa osVertiginam em segredo RODOPIOVolteiam dentro de mim,Em rodopio, em novelos,Milagres, uivos, castelos,Forcas de luz, pesadelos,Altas torres de marfim.Ascendem helices, rastros Mais longe coam me so s Ha promontorios, farois,Upam se estatuas d herois,Ondeiam lan as e mastros.Zebram se armadas de c r,Singram cortejos de luz,Ruem se bra os de cruz,E um espelho reproduz,Em treva, todo o esplendor Cristais retinem de medo,Precipitam se estilha os,Chovem garras, manchas, la os Planos, quebras e espa osVertiginam em segredo.Luas d oiro se embebedam,Rainhas desfolham lirios Contorcionam se cirios,Enclavinham se delirios.Listas de som enveredam Virgulam se aspas em vozes,Letras de fogo e punhais Ha missas e bacanais,Execu es capitais,Regressos, apoteoses.Silvam madeixas ondeantes,Pungem labios esmagados,Ha corpos emmaranhados,Seios mordidos, golfados,Sexos mortos d anseantes Ha incenso de esponsais,Ha m os brancas e sagradas,Ha velhas cartas rasgadas,Ha pobres coisas guardadas Um len o, fitas, dedais Ha elmos, trof us, mortalhas,Emana es fugidias,Referencias, nostalgias,Ruinas de melodias,Vertigens, erros e falhas.Ha vislumbres de n o ser,Rangem, de vago, neblinas Fulcram se po os e minas,Meandros, pauis, ravinasQue n o ouso percorrer Ha v cuos, ha bolhas d ar,Perfumes de longes ilhas,Amarras, lemes e quilhas Tantas, tantas maravilhasQue se n o podem sonhar


  6. says:

    COMO EU N O POSSUOOlho em volta de mim Todos possuem Um afecto, um sorriso ou um abra o.S para mim as nsias se diluemE n o possuo mesmo quando enla o Quero sentir N o sei perco me todoN o posso afei oar me nem ser eu Falta me ego smo pra ascender ao c u,Falta me un o pra me afundar no lodo.N o sou amigo de ningu m Pra o serFor oso me era antes possuirQuem eu estimasse ou homem ou mulher,E eu n o logro nunca possuir Castrado d alma e sem saber fixar me,Tarde a tarde na minha d COMO EU N O POSSUOOlho em volta de mim Todos possuem Um afecto, um sorriso ou um abra o.S para mim as nsias se diluemE n o possuo mesmo quando enla o Quero sentir N o sei perco me todoN o posso afei oar me nem ser eu Falta me ego smo pra ascender ao c u,Falta me un o pra me afundar no lodo.N o sou amigo de ningu m Pra o serFor oso me era antes possuirQuem eu estimasse ou homem ou mulher,E eu n o logro nunca possuir Castrado d alma e sem saber fixar me,Tarde a tarde na minha dor me afundo Serei um emigrado doutro mundoQue nem na minha dor posso encontrar me


  7. says:

    Ao longo das curtas p ginas deste livro, que foi, na maioria, escrito no espa o de uma semana, fica nos o desespero do poeta Procura se e n o se encontra e volta se a perder em si mesmo M rio de S Carneiro escreveu o com 22 anos, uns meros 3 anos antes de suicidar Estes versos j mostravam os dilemas e o estado de profunda depress o do poeta Por isso, n o uma leitura leve A poesia n o se mostra com grandes artif cios, no entanto a cad ncia transmite parte do desespero ao leitor.Recomendo Ao longo das curtas p ginas deste livro, que foi, na maioria, escrito no espa o de uma semana, fica nos o desespero do poeta Procura se e n o se encontra e volta se a perder em si mesmo M rio de S Carneiro escreveu o com 22 anos, uns meros 3 anos antes de suicidar Estes versos j mostravam os dilemas e o estado de profunda depress o do poeta Por isso, n o uma leitura leve A poesia n o se mostra com grandes artif cios, no entanto a cad ncia transmite parte do desespero ao leitor.Recomendo a quem quiser conhecer um dos autores mais influentes do in cio do s culo XX, da gera o d Orpheu, assim como como Almada Negreiros e Fernando Pessoa


  8. says:

    perdi me dentro de mimporque eu era labirintoe hoje quando me sinto com saudade de mim lindas poesias, bel ssimas imagens.


  9. says:

    Quero dormir ancorar


  10. says:

    Nem pio nem morfina O que me ardeu, Foi lcool mais raro e penetrante s de mim que eu ando delirante Manh t o forte que me anoiteceu.


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